Saúde em tempos de redes sociais

Vivemos uma revolução na sociedade e na cultura desde que as redes sociais surgiram em nossas vidas, conectando pessoas, facilitando o acesso ao conhecimento e oferecendo entretenimento instantâneo, mas também gerando sobrecarga mental e problemas na saúde física e emocional. Nos últimos anos, essa pressão aumentou, alimentando comparações, ansiedade e frustrações.


Padrões estéticos dos anos 1990 voltam a dar as caras, com o culto à magreza extrema e a cultura das dietas restritivas. E não é coincidência: essa onda anda de mãos dadas com o uso cada vez mais intenso das redes sociais – e com a superficialidade dos conteúdos que consumimos nelas.
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“Para onde quer que eu olhe, os valores estéticos dos anos 90 retornaram, mesmo que o vocabulário tenha mudado: a dieta low-carb foi substituída pela high-protein; a palavra dieta foi substituída por bem-estar; a fome foi substituída pelo jejum. A cultura da dieta está sendo revivida, repaginada e revendida para uma nova era, assim como os alimentos que a alimentaram.”
 –– Ellen Cushing, The Atlantic.
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Nós, do time de Kiro, acreditamos que cuidar da saúde é fundamental – tanto que criamos o produto mais bacana que poderíamos imaginar, que consegue unir os melhores ingredientes naturais a muito sabor. Ainda assim, sabemos que é preciso vigilância constante para não cairmos nas armadilhas dos padrões irreais e desequilibrados que tentam nos seduzir o tempo todo.


Nesta edição, conversamos com Mariana Nogueira, que nas redes ficou conhecida pelo seu lema: não conte calorias. Formada em Nutrição pela Uni-BH e em cozinha pelo Senac-MG, é ainda aprimorada em transtornos alimentares pelo Ambulim do HCFMUSP – o que faz toda a diferença em tempos de “gurus” sem formação ou base científica. Atualmente trabalha com comunicação e comportamento alimentar, pesquisando e produzindo conteúdo sobre o que realmente importa: a relação saudável com a comida e com o corpo.




 MARIANA NOGUEIRA NOS ENSINA A NÃO CONTAR CALORIAS

Voltamos ao padrão de beleza da supermagreza dos anos 1990, mas num contexto de mais pressão com as redes sociais e de medicamentos como Mounjaro e Ozempic. Ao mesmo tempo, há uma real preocupação com a saúde — inclusive a mental. Como é possível ser saudável nesse contexto?
 
A primeira coisa é avaliar, ponderar e organizar o uso das redes sociais. O constante estímulo com mensagens — visuais e verbais — não nos dá tempo para conectar com nosso corpo e nossa mente, percebendo o que funciona para uma boa saúde. O segundo ponto é separar saúde de magreza. Já é comprovado que a obesidade provocada por um estilo de vida empobrecido (sedentarismo, excesso de ultraprocessados, estresse) é um grande risco para a saúde, mas evitar esse cenário não é buscar a supermagreza, e sim um estilo de vida saudável, com exercícios físicos regulares e uma vida mais ativa, uma alimentação equilibrada e, claro, saúde mental em dia.

Você sente uma grande paranóia com a saúde no ar? Acha que isso tem mexido no lado mais prazeroso do paladar? O que as pessoas estão perdendo?
 
Sim! Essa paranóia não é novidade, mas tem se acentuado muito nos últimos anos. Não tenho dúvidas que isso tem mexido no lado do prazer: as pessoas estão deixando de comer coisas saborosas em prol de alimentos com “funcionalidade” (rico em proteína, baixo em carboidrato, etc.) ou estão comendo coisas saborosas com muita culpa, e estão se desconectando, aos poucos, não só do verdadeiro sabor dos alimentos como de todos os outros fatores que a alimentação traz consigo — aspectos sociais, históricos, culturais e afetivos. Sem falar, claro, na perda da saúde. Existe uma idéia, cultivada pela mentalidade da dieta, de que se você está comendo com prazer é porque está comendo errado, quando, na verdade, as preparações mais saborosas são compostas por ingredientes in natura ou minimamente processados — justamente o que precisamos para uma boa saúde! 

Que dicas práticas você dá para quem deseja ter um estilo de vida mais saudável?
 
A primeira é ter uma vida mais ativa: se mover mais durante o dia nas atividades diárias — trocar o carro pela bike (ou por caminhadas), subir escadas, cozinhar (demanda energia ficar em pé na cozinha!). E claro, fazer exercícios físicos, que não precisa ser a academia, pode ser um esporte. Na parte da alimentação, é o básico que funciona: reduzir o consumo de ultraprocessados, preparar a própria comida, diminuir ou zerar o consumo de álcool e, sobretudo, entender não só sobre o que você está comendo, mas o porquê de estar comendo.
 
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Leia este texto em que ela reflete sobre o consumo de bebida alcoólica e fala sobre alternativas a ela: “Tem gente que não bebe e anda vivendo” 
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“Bebo Kiro quando estou tentando beber menos. Seja para evitar a bebida alcoólica ou quando já tomei uma dose e quero parar, sem que perca as companhias de copo. Kiro foi uma ajuda real já que, depois dos 40, encarar uma ressaca se tornou um desafio grande. Eu gosto muito da complexidade de sabores (o de gengibre é o meu preferido, mas amo o de maçã!), da lista de ingredientes e do tamanho da porção”
 
Mariana Nogueira, nutricionista e autora da newsletter e do perfil @naocontocalorias
 

 

 


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